Fundamentação

A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesão tecidular real ou potencial, ou descrita em função de tal lesão. No doente oncológico, a dor pode estar relacionada com a neoplasia, com o seu tratamento, ou não ter relação com a doença neoplásica, sendo a sua prevalência elevada e podendo surgir em qualquer fase da doença - 35% dos doentes oncológicos referem dor ao diagnóstico e 75% na fase de doença avançada. O impacto da dor é enorme, tendo repercussões a nível da autonomia, do bem-estar e qualidade de vida do doente, gerando sofrimento que vai muito para além da sua dimensão física.
Apesar destes dados, sabe-se que hoje é possível controlar a dor oncológica em 80-90% dos doentes com fármacos não hospitalares e seguindo as orientações da OMS.
No entanto, a dificuldade para o eficaz controlo da dor continua a ser uma realidade dos nossos dias. Para tal contribuem, com certeza, múltiplas causas que começam na formação pré-graduada, passam pela formação pós-graduada e ainda não foram capazes de quebrar barreiras e mitos.
Esta formação pretende focar-se numa abordagem simples e dirigida ao tratamento farmacológico da dor crónica oncológica, com a preocupação de transmitir não só conhecimento teórico, mas também prático.